sábado, 11 de fevereiro de 2012

OS TUCANOS E A QUESTÃO SOCIAL

Pinheirinho Mostra a face da ideologia Capitalista:

Apesar da grande Mídia não noticiar os fatos graves que aconteceram na desocupação de uma área em São José dos Campos- SP, jornalistas comprometidos com as causas sociais não se omitiram e mostraram para o Brasil e todo o Planeta, a forma cruel como foram tratados famílias inteiras desalojadas de suas casas, vendo seus pertences e moradia sendo esmagados por tratores, para devolver essa área a um criminoso do sistema financeiro.

Com uma dívida de cerca de 10 milhões de reais de IPTU, o terreno é da  massa falida, da Selecta. "O proprietário é um notório devedor de impostos, notório especulador, proibido de atuar nas bolsas de valores de 40 países. Só aqui ele é tratado tão bem", afirmou, em entrevista ao Portal Terra, Aristeu Cesar Pinto, da OAB local, ou seja, ao defender a reintegração de posse, a prefeitura de São José simplesmente atuou em favor de seu devedor, contra famílias compostas por trabalhadores que há anos davam vida ao Pinheirinho, que já se constituía como mais um bairro popular de modestas condições, como milhares que conhecemos Brasil afora. Não se tratava de uma favela, como noticiou maliciosamente a grande mídia, outro braço da tropa de choque tucana.

Como já explicado por jornalistas e também pelo deputado federal Protógenes Queiroz, conhecedor profundo das práticas de Nahas desde a Operação Satiagraha - anulada na justiça por envolver até a mãe dos plutocratas nacionais, o criminoso financeiro libanês tem interesse total em retomar o terreno e usá-lo no abatimento da estrondosa dívida de sua antiga empresa – dentre tantas...

A Polícia Militar entregou o terreno do Pinheirinho, em São José dos Campos (a 91 km de São Paulo), para a empresa Selecta, na quarta-feira (25), após quatro dias de operação. Com uma área de 1,3 milhão de m², que será vendido para cobrir dívidas da empresa

Em meio à desocupação, uma oficial de Justiça ainda entregou decisão do juiz federal Samuel de Castro Barbosa Melo de suspensão do despejo. Destinada aos comandantes das polícias Militar, Civil e Guarda Municipal, o documento foi recebido pelo desembargador Rodrigo Capez. Sob a alegação de “conflito de competências”, a ordem não foi acatada. Rodrigo Capez, coincidentemente, é irmão do deputado estadual Fernando Capez, do mesmo PSDB do prefeito de São José dos Campos, Eduardo Cury, e do governador de São Paulo (em última instância chefe da PM), Geraldo Alckmin. Quem manteve a decisão de reintegração, mesmo depois de acordo firmado com o próprio proprietário da área, foi a juíza da 6ª Vara Cívil de São José, Márcia Mathey Loureiro.

O que aconteceu lá dentro?

“Motivos de segurança”. Foi essa a justificativa da PM para impedir que qualquer pessoa passasse a barreira da Tropa de Choque para entrar na área do Pinheirinho. No máximo a TV Globo, com coletinho à prova de balas, pôde se aproximar um pouco do trator. De nada adiantou os moradores insistirem para pegar seus pertences, ou ao menos os documentos que não tiveram tempo de apanhar.  Tampouco os apelos da imprensa ou os esperneios dos parlamentares que tentavam fazer alguma coisa. Moradores chegaram a relatar que tiveram seus celulares recolhidos para impedir que registrassem a ação. Que tipo de abusos aconteceram lá dentro? O que fez a polícia quando a maioria dos moradores já estava do lado de fora? Ninguém sabe, ninguém viu.

A urbanista Raquel Rolnik, relatora da ONU pelos direitos à moradia, encaminhou uma carta de Apelo Urgente e Declaração Pública para a Missão Permanente do Brasil em Genebra, com material de denúncia às violações feitas no que está começando a ser conhecido como “Massacre do Pinheirinho”. O deputado estadual Carlos Gianazzi (PSOL) anunciou que também está preparando um dossiê a ser entregue ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e à Comissão de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) pedindo investigação a respeito dos atos da juíza Márcia Loureiro e da presidência do Tribunal de Justiça que avalizou a decisão da desocupação.

Os advogados do movimento afirmam que não desistirão de desapropriar a área de Naji Nahas- conhecido especulador e doleiro, historicamente envolvido, e condenado, em inúmeros crimes financeiros- para a construção de moradia popular. “Perdemos essa batalha, mas a luta continua”, gritava um jovem enfurecido no dia 22, com um pano cobrindo o rosto e uma pedra na mão. 
Diante disso, fica impossível discordar do deputado federal Ivan Valente, que resumiu a ação tucano-judicial-policial como autêntica “justiça de classe”, colocando o direito ao patrimônio em patamar superior ao direito à vida e à moradia, entre outros essenciais direitos humanos, ignorados por uma juíza que não pode seguir na carreira sem passar por uma séria investigação – e processo de responsabilização.
Observem que esse fato desapareceu dos noticiários da grande imprensa. Foi dado mais destaque para o "estrupo" do BBB do que deixar milhares de famílias sem casa e sem os seus pertences que foram simplesmente esmagados pelos tratores da Prefeitura de São José dos Campos- SP. Ninho dos tucanos, com apoio da BM, comandado pelo Governo de São Paulo.

Texto montado baseado em recortes de matéria dos jornalista: Gabriel Brito, Idelber Avelar, Gabriela Moncau , Portal Terra e revista Caros Amigos.

                                       

domingo, 29 de janeiro de 2012

A LEITURA COMO FONTE DE (IN)FORMAÇÃO

Quando assistimos ou ouvimos os noticiários , principalmente no estilo de manchete-“plim, plim”- poucos são os que entendem o que está sendo noticiado. A mesma notícia pode gerar interpretações diferenciada e até deturpar a realidade. Essa variante depende do nível de leituras particular de cada um. Mas o que entendemos por leitura?
Segundo Orlando Morais (1997) “a leitura envolve em primeiro lugar, a identificação dos símbolos impressos (letras e palavras) e o relacionamento destes com os seus respectivos sons. Em que, no início do processo de aprendizagem da leitura, a criança deverá diferenciar visualmente cada letra impressa, percebendo e relacionando este símbolo gráfico com seu correspondente sonoro. Entretanto, para que haja leitura não basta apenas a decodificação dos símbolos, mas a compreensão e a análise crítica do texto lido. Pode-se considerar então que uma criança lê, quando esta entende o que o texto retrata. Pois quando esta apenas decodifica e não compreende, não se pode afirmar que houve leitura.”
Morais não para em sua definição e segue: “podemos vincular o conceito de leitura ao processo de literacia, numa compreensão mais ampla do processo de aquisição das capacidades de leitura e escrita e principalmente da prática social destas capacidades. Deste modo, a leitura nos insere em um mundo mais vasto, de conhecimentos e significados, nos habilitando inclusive a decifrá-lo; daí a noção tão difundida de leitura do mundo.”
           Já, Paulo Freire coloca a questão das vivências de cada um como precedente à leitura da palavra, onde a associação desses momentos auxiliarem na compreensão da sociedade como um todo. Segundo Freire,
O processo de aprendizagem na alfabetização de adultos está envolvida na prática de ler, de interpretar o que leem, de escrever, de contar, de aumentar os conhecimentos que já têm e de conhecer o que ainda não conhecem, para m elhor interpretar o que acontece na nossa realidade” (FREIRE, p. 48).
Freire, Paulo. A Importância do Ato de Ler: em três artigos que se completam. 22  ed. São Paulo: Cortez, 1988. 80 p.
Segundo Fanny Abramovich e Carla Alexandre, é através da leitura que se pode descobrir outros lugares, outros tempos, outros jeitos de agir e de ser, de outra ética, outra ótica... É ficar sabendo História, Geografia, Filosofia, Política, Sociologia, etc.
Extraído de http://pt.wikipedia.org/wiki/Leitura, acessado dia 24/01/2012;
Dessa forma, o dia que tivermos um País de Leitores, poderemos de fato exercer a nossa cidadania e transformar a sociedade que contemple uma vida digna e o exercício pleno da Democracia, pois deixaremos de ser massa de manobra dos meios de comunicação de massa. Falando nisso, assim como as terras do Brasil que foram distribuídas em sesmaria pelos portugueses,  a imprensa brasileira também é concentrada em grupos familiares.

Sugestão de Leituras:    
Mídia & Democracia- Guareschi, Pedrinho e Osvaldo Biz-Porto Alegre; P.G/ O.B,2005.
Na Toca dos Leões. A história da W/Brasil, uma agências de propaganda mais premiada do mundo / Fernando morais.- São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2005.
O Fórum Social Mundial: manual de uso/ Boaventura de Souza Santos.-   São Paulo: Cortez, 2005.         Ofício de Mestre : imagens e auto imagens / Miguel G. Arroyo, - Petrópolis, RJ: Vozes, 2000.
A Privataria Tucana / Amauri Ribeiro Junior. – São Paulo: Geração Editorial. 2012 (Coleção a história agora; v.5)

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O ASSUNTO PERSISTE:

O FENÔMENO LA NIÑA:
Volto a insistir nesse assunto porque a mídia comandada pelo ”Plin plin” após cada reportagem das enchentes no Sudeste (MG,SP e RJ) ou da seca que afeta os Gaúchos e Oeste Catarinense, a  justificativa é o resfriamento das águas do Oceano Pacífico, então muda-se a reportagem para outro noticiário, como se esse assunto fosse proibido ou perigoso. Não explicam ”eles” de que forma resfriou-se essas águas capaz de provocar tamanhas mudanças climáticas. Isso se repete ano após ano, mas o assunto nunca é aprofundado. Enquanto isso vidas humanas são eliminadas por soterramentos, casas, estradas, pontes e famílias inteiras perdem seus pertences. E quem assiste se emociona e chora junto com as vítimas. Já na região das secas, as perdas econômicas se acumulam e lá se vai mais um ano de trabalho. Para muitos a única opção para honrar seus compromisso é a venda de parte ou de toda a propriedade.
Mas para o monopólio da mídia, a causa é o “La Niña.
Não explicam eles que o aquecimento global provocado pela industrialização desenfreada sem os cuidados necessário de controle da emissão de gases de efeito estufa, ou pelo desmatamento a qualquer custo acompanhado pelas queimadas tem contribuído de certa forma pelo aumento dos dióxidos de carbono na atmosfera, aliada a ganância do agronegócio que não pode ver banhado que já pensa em drená-lo para fazer lavoura, são fatores que contribuem para o aquecimento global, responsável pelas mudanças no clima .
Enquanto isso, esse “La niña” é o vilão climático.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

APÓS FICAR AFASTADO, ESTOU DE VOLTA

O IMPACTO DE UMA NOTÍCIA
                O ser humano é estranho mesmo. Caminha tranquilo, vive, se emociona, brinca, ri, mas de repente, buuummm!!!!
                Um exame que era para ser de rotina, assinala, então vem a notícia. E o fundo do poço está ali, bem em frente. Toda uma vida gira 180 grau, como a orientação da bússola- do Norte para o Sul. Então vem a segunda notícia: o medicamento que pode te trazer de volta não é acessível economicamente e o Estado, bem o Estado nem sempre cumpre com sua obrigação Constitucional. Sobra para o cidadão a via judicial. Vencida essa etapa. Que venha o tratamento.
                As reações adversas da medicação não são nada fáceis. Inicia-se a luta diária pela vida. Vem os enjoos, a queda do cabelo, o estado febril, o “baixo astral”, a angústia,...
                Acreditar na possibilidade de vencer essa “batalha” e ter fé numa força superior  é a esperança que resta.
                Enquanto isso, estou de volta.
               

sábado, 3 de dezembro de 2011

Fotos- assembleia geral do Cpers- 02/12/2012- em Porto Alegre


Fotos Véio e equipe

Assembleia Geral do Cpers- Sindicato decide pelo fim da Greve

Aproximadamente uns três mil professores e funcionários de escolas, em Assembleia Geral na tarde de sexta feira(02/12/2011), na Praça Marechal Deodoro em frente ao Palácio Piratini, em Porto Alegre-RS, decidiram encerrar a Greve que havia iniciado dia 18 de dezembro. No balanço do movimento, ficou o debate na sociedade das mudanças que o Governo pretende introduzir no Ensino Médio a partir de março do próximo ano, além do não cumprimento da Lei do Piso sancionada (aprovada)pelo Presidente Lula em 2008, para vigorar a partir de janeiro de 2009. Com a entrada no STF pelo Governo Yeda pedindo a Inconstitucionalidade da lei (ADIN), o Supremo decidiu e publicou o Acórdam, em agosto deste ano, legitimando que Todo o Professor brasileiro tem direito de receber um piso nacionalmente definido pelo MEC, como salário inicial básico, por uma jornada de 40 h semanais (ou 50% desse valor por 20h), sobre o qual incide todas as vantagens constada no Plano de Carreira.

O valor em vigor hoje R$ 1 187,00 com projeção de reajuste de 16,2% em jan/2012.

A proposta aprovada é se não existe recurso para pagar o Piso de forma integral, pelo menos que se apresente um calendário para a categoria; também de boicotar as proposta de mudança no Ensino Médio, nos moldes apresentado.

Como Tarso havia declarado na imprensa que "se a greve fosse encerrada, vou elaborar e apresentar um calendário de pagamento até integralizar o Salário definido em lei, também pretendemos criair um grupo de trabalho entre a SEDUC e o CPERS para discutir a reestruturação do ensino médio".

Bom, agora é com o Senhor governador, afirmou a Professora Rejane Oliveira, Presidenta do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do RS.

No término da Assembleia os participantes usaram o Cartão Vermelho da votação para escrever um "recado" ao Governo e após colaram os mesmos na parede do Palácio sob o olhar dos poucos brigadianos que faziam a segurança do Piratini. Então foi cantado o Hino do Cpers e o Hino Riograndense, frizando bem os versos: "povo que não tem virtude acaba por ser escravo" e, "Sirvam nossas façanhas de modelo a toda a Terra".

Por Claudomir Feltes dos Santos-(Véio) Rep. Cpers

Rádio Comunitária De Vanguarda FM- S. José das Missões-RS

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Ataque aos índios kaiowás, no Mato Grosso do Sul, sugerem ação genocida

Execução de cacique e desaparecimentos colocam em risco existência da comunidade; estudantes indígenas publicam protesto.
Por Moriti Neto [23.11.2011 14h20]- Revista Forum-
www.revistaforum.com.br acessado 29/11/2011
Eram 6h30 de sexta-feira passada, 18 de novembro, no acampamento Tekoha Guaiviry, entre os municípios de Amambaí e Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, a menos de cem quilômetros da fronteira com o Paraguai. Ali uma comunidade kaiowá guarani foi atacada por um grupo de aproximadamente 40 pistoleiros munidos com armas de grosso calibre. As descrições do bando apontam um grupo mascarado e com jaquetas escuras que entrou em fila no acampamento e ordenou que os índios deitassem no chão.
O objetivo central do ataque era o assassinato do cacique Nísio Gomes. Segundo relatos da comunidade, ele foi morto com tiros de calibre 12 – na cabeça, no peito, nos braços e nas pernas – e o corpo levado pelos pistoleiros, algo comum em massacres cometidos contra os kaiowá guarani no estado.
A comunidade conta que o filho de Nísio tentou impedir o assassinato e se atirou sobre um dos pistoleiros. Apanhou muito, mas seguiu tentando salvar o cacique. Os assassinos somente conseguiram contê-lo com um tiro de bala de borracha no peito. E executaram o pai diante de seus olhos.
Existem denúncias de que mais três jovens teriam sido sequestrados e que também uma mulher e uma criança teriam sido mortas. A informação vem de um grupo de 12 mulheres que conseguiu escapar e chegar até a cidade de Amambaí. Elas contaram que, durante a fuga, viram três jovens serem baleados e caírem ao chão. Não conseguiram afirmar se morreram. Os jovens seriam Jonatas Velásquez, de 14 anos, Mauro Martins, de 15 anos e Jailson Brites, de 16 anos.
Os pistoleiros tinham uma dezena de caminhonetes – marcas Hilux e S-10, nas cores preta, vermelha e verde. De acordo com as testemunhas, foi na caçamba de uma delas que levaram o corpo do líder indígena e os outros sequestrados.
Depois do ataque, dez indígenas permaneceram no acampamento. O restante fugiu para o mato. A comunidade tem aproximadamente 60 membros. Semanalmente ameaçada por pistoleiros que trabalham para grandes proprietários de terra da região, não é a primeira vez que sofre agressões. Foi instaurado inquérito pela Polícia Federal. O Ministério Público Federal também está acompanhando de perto as investigações, mas, até o momento, não há nenhuma informação sobre o corpo de Nísio Gomes ou dos índios desaparecidos.
Burocracia e precariedade: combinação para o genocídio
Aguardando por regularização fundiária, a comunidade, que antes vivia em uma rodovia estadual, está acampada em área de litígio desde o último dia 1 de novembro, ocupando um pedaço de terra entre as fazendas Chimarrão, Querência Nativa e Ouro Verde, localizado em uma pequena parte de ocupação tradicional kaiowá. O lugar pertence ao conjunto de terras indígenas que devem ser demarcadas no estado.
Com um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) do Ministério Público Federal (MPF), em execução – referente ao processo de demarcação da terra indígena – o processo de identificação das áreas começou em 2007 e é repetidamente interrompido por conflitos.
Somando a precariedade e o descaso estatal, Marcos Homero Ferreira Lima, antropólogo do MPF de Dourados, em colaboração com estudo da Survival International – organização mundial de apoio aos povos indígenas – sobre um acampamento de beira de estrada localizado às margens da BR 163, na cidade de Dourados, diz que não é exagero classificar como genocídio o que ocorre aos kaiowá. “Não se trata de hipérbole quando se fala em genocídio, pois, a série de eventos e ações perpetradas contra o grupo, como se objetivou demonstrar, desde o final da década de 1990, tem contribuído para submeter seus membros a condições tolhedoras da existência física, cultural e espiritual. Crianças, jovens, adultos e velhos se encontram submetidos a experiências degradantes que ferem diretamente a dignidade da pessoa humana. O modo de vida imposto àqueles kaiowá é revelador de como os brancos veem os índios. O preconceito, o descaso, o descuido, a não consideração dos direitos à terra, à vida, à dignidade são patentes. A situação por eles vivenciada é análoga àquela de um campo de refugiados. É como se fossem estrangeiros no seu próprio país. É como se os 'brancos' estivessem em guerra com os índios e a estes últimos só restasse a fina faixa de terra que separa a cerca de uma fazenda e a beira de uma rodovia”, argumenta.
O Conselho Indigenista Missionário (Cimi), em estudo sobre a violência praticada contra os povos indígenas do estado nos últimos oito anos, aponta que a maior quantidade de acampamentos indígenas do Brasil está no Mato Grosso do Sul. São 31, com mais de 1200 famílias vivendo à beira de rodovias ou isoladas em pequenas porções de terra de fazendas. Com a precariedade, além da constante violência, as comunidades estão expostas a vários tipos de doenças.
Segue, sem edição, carta de protesto dos estudantes guarani e kaiowá dos cursos de ciências sociais e história da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul. As informações contidas na carta foram recebidas por pessoas que estavam no acampamento na hora do massacre:
Por volta das seis horas chegaram os pistoleiros. Os homens entraram em fila já chamando pelo Nísio. Eles falavam segura o Nísio, segura o Nísio. Quando Nísio é visto recebe o primeiro tiro na garganta e com isso seu corpo começou tremer. Em seguida levou mais um tiro no peito e na perna. O neto pequeno de Nísio viu o avô no chão e correu para agarrar o avô. Com isso um pistoleiro veio e começou a bater no rosto de Nísio com a arma. Mais duas pessoas foram assassinadas. Alguns outros receberam tiros, mas sobreviveram. Atiraram com balas de borracha também. As pessoas gritavam e corriam de um lado para o outro tentando fugir e se esconder no mato. As pessoas se jogavam de um barranco que tem no acampamento. Um rapaz que foi atingido por um tiro de borracha se jogou no barranco e quebrou a perna. Ele não conseguiu fugir junto com os outros então tiveram que esconder ele embaixo de galhos de árvore para que ele não fosse morto.
Outro rapaz se escondeu em cima de uma árvore e foi ele eu me ligou para me contar o que tinha acontecido. Ele contou logo em seguida. Ele ligou chorando muito. Ele contou que chutaram o corpo de Nísio para ver se ele estava morto e ainda deram mais um tiro para garantir que a liderança estava morta. Ergueram o corpo dele e jogaram na caçamba da caminhonete levando o corpo dele embora.
Nós estamos aqui reunidos para pedir união e justiça neste momento.
Afinal, o que é o índio para a sociedade brasileira?
Vemos hoje os direitos humanos, a defesa do meio ambiente, dos animais. Mas e as populações indígenas, como vem sendo tratadas?
As pessoas que fizeram isso conhecem as leis, sabem de direitos, sabem como deve ser feita a demarcação da terra indígena, sabem que isso é feito na justiça. Então porque eles fazem isso? Eles estão acima da lei?
O estado do Mato Grosso do Sul é um dos últimos estados do Brasil mas é o primeiro em violência contra os povos indígenas. É o estado que mais mata a população indígena. Parece que o nazismo está presente aqui. Parece que o Mato Grosso do Sul se tornou um campo de fuzilamento dos povos indígenas. Prova disso é a execução do Nísio. Quando não matam assim matam por atropelamento. Nós podemos dizer que o estado, os políticos e a sociedade são cúmplices dessa violência quando eles não falam nada, quando não fazem nada para isso mudar. Os índios se tornaram os novos judeus.
E onde estão nossos direitos, os direitos humanos, a própria constituição? E nós estamos aí sujeito a essa violência. Os índios vivem com medo, medo de morrer. Mas isso não aquieta aluta pela demarcação das terras indígenas. Porque Ñandejara está do lado do bom e com certeza quem faz a justiça final é ele. Se a justiça da terra não funcionar a justiça de deus vai funcionar.
Estudantes Guarani e Kaiowá dos cursos de ciências sociais e história e moradores da aldeia de Amambaí.